E todo de mel se unta...

Esses dias, refleti sobre a incrível arte de andar na linha, de praticar boas ações e ser lembrado como alguém que fez a diferença. Por mais simples que pareça ou que soe as normas da moral e as leis da “política da boa vizinhança” ou até mesmo, a declaração dos direitos humanos, na vida como ela é não é tão simples assim, pois como dizem “falar é fácil”...
E realmente se pararmos pra pensar, fazer o mal ou prejudicar alguém (mesmo que sem querer) é algo muito provável e fácil de acontecer. Fazemos algo ruim à outra pessoa por que queremos, prejudicamos os outros quando só olhamos o nosso lado, ou então deixamos alguém triste por estarmos fazendo mal a nós mesmos.
Quando digo que é difícil fazer o bem, não quero ser pessimista. Mas é que quando você apanha, engolir a raiva e dar a outra face para apanhar também é complicado. Quando você ajuda alguém e esse alguém não reconhece ou pelo menos não demonstra gratidão, isso pode nos desestimular a ajudar a quem precisa ou até mesmo, mudar quem somos no sentido de nos tornar uma pessoa que cultiva o fel e que só convive e sobrevive com a própria companhia. Em resumo, o quero dizer é que uma das artes mais belas, da qual me esforço diariamente para tentar dominá-la, é de você fazer algo positivo com a negatividade que lhe é lançada.
Eu escrevi uma anotação que é a minha salvação e também o meu tormento, ela diz assim: "a vida tentou e tenta me fazer amarga, mas a minha existência me fez doce...".

Difícil mesmo é destilar o mel, mas devagarzinho, de flor em flor, a gente se mantém florida, e seguimos cuidando do nosso jardim.
Para nos protegermos, nós criamos as mais diversas estratégias de defesa, criamos muralhas, obstáculos, subimos em montanhas... Mas a pior delas é nos fecharmos pro mundo! Porque quando a gente se fecha, ficamos blasé e perdemos a oportunidade da alegria das coisas boas que surgem nos nossos caminhos. E são justamente essas coisas boas que são os instrumentos para nós destilarmos o mel.
Não temos que impedir que as coisas não nos atinjam. Ao contrário, temos que fazer com que elas repercutam em nós de maneiras positivamente diferentes. Como já disse Sartre.
         O importante é lembrar que ainda tem muita água pra rolar e muita vida para celebrar! Sempre haverá nos nossos caminhos criaturas horrendas que logo a gente percebe que vão nos fazer mal. Mas também temos que atentar para os beija-flores, pois mesmo com a aparência amigável, eles roubam e desperdiçam o nosso mel.


Isso não significa para ficarmos revoltados com a vida, pois como dizia o meu pai: “só leva pedrada, árvore que dá bons frutos”... E além do mais, no jardim da vida, há também as borboletas que nos poleniza, os pássaros cantando as mais doces melodias... Manter o sorriso no rosto não é fácil, mas definitivamente vale a pena!

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