À um velho conhecido
Pode vir
cortar-me o rosto,
clarear meus
cabelos
e desgastar
as minhas articulações.
Venha, e
leve a minha rapidez,
os meus
olhos que antes tudo viam,
e até a
minha boa memória.
Deixe-me
aqui com as novas dores,
com as
saudades de velhos amores
e mais amiga
da ideia do fim.
Lembre-me da
tua velocidade,
toda vez em
que eu me olhar no espelho.
Encante-me
com as canções que trazes no caminho.
Preserve-me
os pés, pois sei que não andas sozinho.
Ao teu lado,
muitos corações pulsam,
muitas
lágrimas secam,
e as vidas...
Piscam!
Tu não
deixas ninguém para trás,
Mas pobre de
quem confiar
no teu companheirismo!
O teu preço
por amadurecer a mente
é envelhecer
a carne...
Mas o melhor
da tua beleza
ah! Está nos
teus encontros!
Mas que bela
ironia que vives!
Ninguém quer
encontrar contigo, velho amigo!
Do choque
inicial ao abate final.
E ainda
dizem que tu és o melhor remédio,
por
simplesmente passar arrastando
a todos como
se fosse o vento,
dançando com
uma pena leve...

Leve...
Simplesmente,
leve!
Atravesse os
séculos, mude gerações,
Projete
melhor o futuro.
Propague
pela história os grandes feitos,
Avise-nos
sobre imperdoáveis erros,
Consagre as
maiores paixões...
E, por fim,
te peço, por favor, que ecoe
as boas
ações que fiz, apague os deslizes que cometi
e cuide do
legado que deixei...
Nem em mil
primaveras irás
atender as
minhas mais profundas
angústias!
Pois, acontece que a ti só cabe
a função de registrar.
E a nós, a chance de mudar.
Comentários
Postar um comentário