Ar em Movimento

  Andei pensando esses dias em como coisas arrebatadoras escapam-nos os olhos. Tipo, o vento. E ao mesmo tempo pensei na sua magnitude. Não se consegue ver o vento, nem ao olho nu nem por fotografias. Só é possível notar a sua presença no efeito que ele provoca por onde passa. O vento não é para ser visto, é para ser sentido. Você sente o frescor ou frio que ele trás. Você sente a sua leveza ou a sua força. Você sente a sua intensidade e ouve o seu som. Passa sem ser visto, mas deixa marcas por onde passa. Ele renova os ares, traz as brisas que precisamos em dias sombrios ou traz as ventanias das mudanças quando nos perdemos em nossos caminhos.

         
      Me vejo no vento, me sinto no vento, me identifico com o vento. Alivio o calor e também intensifico o frio. Sou como qualquer outra pessoa. Nada de especial, nada demais. Tem meu lado bom e o ruim. Tenho um furacão que pulsa meu sangue. Tenho as brisas do amor que me deixam apaixonada pela vida. Tenho os tornados que me deixam indignada com injustiças. Tenho ciclones que confundem meus pensamentos.

   Não sou fogo, nem sou água. Não causo incêndio, mas assim como o vento posso propagá-los. Não mato a sede, mas crio ondas. Não sou terra. Não faço a vida brotar, mas espalho as sementes.
 

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