86.400 segundos
Estava eu pensando esses dias que se há poesia nesse mundo, a
maior delas é sem dúvida a Natureza! Me encanto com o vento tirando as folhas
das árvores para dançar, com as pedras no fundo dos rios fazendo tranças nas
águas, com as nuvens enfeitando o Céu e dando-lhe sempre novas cores, com as
estrelas piscando ao infinito, e acima de tudo com a vida se renovando a cada
dia.
Enchi-me de
gratidão por poder contemplar toda essa beleza, que mesmo não vista, se faz
notar no correr do tempo. Essa natureza que é “artista em seu próprio convívio,
que transforma o tédio em melodia”, me emociona, me inspira e me reinventa em
cada observar meu.
Lembrei das
borboletas que só vivem por 24 horas ou no caso de certas mariposas até menos. Esse
singelo tempo, ou melhor este soneto de tempo, ensina que não é o quanto de
tempo que se gasta em algo que importa, mas sim a quantidade de vida, de
entusiasmo que gastamos é que faz a diferença.
Em apenas um
dia, essas borboletas vencem o casulo, caem no chão e lá ficam expostas até
suas asas ficarem fortalecidas o suficiente para poder voar, depois elas
simplesmente aprendem a voar, e voam as suas belezas pelos campos à flora. Só
aí vemos não só a perseverança destes frágeis e delicados insetos como também a
transformação da dor em ternura.
Já voando, elas
ainda vão se alimentar, fecundar as flores, polénizar os jardins, fugir dos
predadores, brincar com o vento, se multiplicar, trazer felicidade àqueles que
as veem passar e depois descansar seu último sopro nos braços da terra.
Como se a mensagem já não estivesse perfeita, elas
nos ensinam que passou a maior parte da vida como lagarta, se preparando para
ser o que ela tem que vir a ser, esperando por seu tão louvável voo. Além de
paciência, elas nos mostram que aguardar pelas graças certas, que suportar a
condição de ter que se rastejar e de ter que crescer se camuflando para
cumprirem com primor a sua sutil missão, vale a pena ainda que o voo tão cheio
de expectativas seja por só 86.400 segundos.
A
você, meu tão querido leitor, gostaria de pedir que sempre que sentir
desencanto por algo ou por si, contemple o seu redor. Nenhuma vida nasce sem
propósito, nenhum voo é alçado sem destino, nenhuma direção é traçada sem que
antes o caminho já esteja trilhado. O tempo de lagarta vale tanto quanto o de
borboleta.
Se os sonhos são a literatura do sono,
a beleza e a vida que se faz nesse breve pulsar são sem dúvida a literatura da
alma.

Comentários
Postar um comentário