Nutshell – O Demonologista
Olá meus passarinhos e minhas passarinhas! Espero
que estejam todos bem lindos! A indicação da semana tem um conteúdo um pouco
diferente do que costumo postar aqui. E para ser sincera, nem sei se a leitura
irá despertar o interesse de todos, mas como achei interessante, quis divulgar
para vocês.
O
livro da vez é “O Demonologista” do Andrew Pyper. Eu li o livro mais ou menos
em cinco dias não corridos, (para quem não sabe, eu leio em média um livro por
semana), e é pequeno – tem umas 315 páginas de história. Esse é o meu quarto
livro da Darkside Books (que para mim é de longe a melhor editora nacional) e
para falar a verdade, apesar de ter ficado super empolgada com a edição e com o
lançamento aqui no Brasil, porque ele já é um best-seller mundial, eu não o
comprei e li emprestado de uma amiga.
Eu não comprei pelo fato de já ter
uma grande fila de livros para ler em minha estante, além dos que eu acabo
pegando emprestado. Por isso, esse ano, estou evitando ao máximo adquirir novos
livros. O que será muito difícil, pois a Bienal já é mês que vem. Oremos ao
Senhor! (risos)
Mas, voltando à obra, a narrativa é
sobre um professor de linguística/literatura de Harvard (se não me engano) que
passou anos de sua vida se especializando em interpretar o famoso clássico de
John Milton “Paraíso Perdido”. David, a personagem principal, é um cara muito
melancólico quase beirando à depressão, que está passando por uma grande crise
em seu casamento e que tem uma filha de 11 anos que ele ama muito. Um dia, ele
é convidado a fazer uma “consultoria” em Veneza, e lá Tess (sua filha)
misteriosamente desaparece. E a história toda é centrada nele lutando contra
tudo para reencontra-lá.
A trama em si não é muito diversa em
personagens importantes, pelos meus cálculos, só há uns cinco, mas isso não
prejudica a história nem a faz mais pobre. Eu sinto, na maior parte dos livros
que eu leio de fantasia ou dark-fantasy que há uma grande tendência
“Tolkien-Martiniana” de construir mundos megalomaníacos com grandes números de
núcleos de personagens e etc. Isso é legal e funciona para certos tipos de
histórias, mas nesse caso em específico, a modéstia e a moderação foram muito
bem empregadas.
A história, apesar de parecer o contrário,
não é um livro de terror e muito menos uma mistura entre “O código da Vinci” e
“O Exorcista” como foi divulgado por aí. Agora, claro se você tem medo ou não
gosta de assuntos relacionados às entidades malignas da mitologia
judaico-cristã, ele será interpretado como um livro de terror. Mais do que um
livro que fala sobre demônios, “O Demonologista” é um thriller psicológico, por
isso fez todo o sentido a narrativa ser em primeira pessoa, porque a maior
parte dos eventos que aconteceram na história só o David viu.
E o ritmo da narrativa é rápido, o
que não só diminui o seu tempo de leitura como também faz todo o sentido porque
o pai está à procura de sua filha e ele não tem tempo a perder. E isso é bem
bacana porque cria a tensão necessária de que os segundos tão passando e não
sabemos o que mais virá pela frente, como a Tess está e o que estamos deixando
passar batido.
O livro é bem escrito e eloquente,
mas confesso que isso não me surpreendeu porque eu não esperaria nada diferente
de uma história que fale sobre demônios, que costumam ser bons em persuasão e
dialética, segundo a tradição e crença. E os diálogos são bastante inteligentes
e ricos, pois há durante toda a obra versos de “Paraíso Perdido” e muitos deles
são pistas vitais para o desenrolar da trama.
Fora isso, a edição é simplesmente
E-S-P-E-T-A-C-U-L-A-R. A Darkside Books como SEMPRE capricha bastante e leva à
falência os leitores que assim como eu adoram uma edição de luxo. O livro tem
um aspecto de diário desgastado e está nas cores vermelho e preto por fora.
Dentro, há ilustrações em preto e branco que me lembrou pinturas barrocas e que
dão um aspecto sombrio. Outro detalhe que achei super legal foi o uso do latim
para nomear as partes dos livros. Além disso, no final do livro há uma nota
sobre quem foi John Milton e do que se trata o “Paraíso Perdido”.
Eu gostei do livro, mas esperava
mais. A história entrega o que promete,
mas assim como todo mundo que acompanhou cada informação divulgada antes do
lançamento, eu achei que ia encontrar uma bela história de terror com
exorcismos, batalhas espirituais, grandes conspirações e etc, e não é nada
disso. O livro foi muito limitado à realidade e até a forma como os demônios se
expressavam foi muito humana, e talvez isso que tenha despertado medo em
algumas pessoas.
Eu encarei o livro como um drama
sobrenatural, e se tivessem me dito que foi uma história real, eu teria
acreditado. Por ser tão humana, e levantar questões que permearam as mentes
durante toda a história da humanidade acerca da existência do homem, a obra
mostra que não é porque não queremos acreditar no mal ou no bem que eles não
existem.
O final do livro é parcialmente
aberto. A história tem início, meio e fim, só que o autor não detalhou como
tudo acabou e fica a nosso critério imaginar o que aconteceu realmente depois.
Eu vi em outros sites teorias sobre o fim (claro que não vou dar spoilers), e a
que menos concordo é de que tudo foi uma crise esquizofrênica. Porque se
pararmos para pensar, todas as histórias que são do gênero fantasia conectada a
realidade e vice-versa, podemos considera-las como surtos psicóticos e
esquizofrênicos. Com Harry Potter, O iluminado, O Labirinto do Fauno e tantos
outros sofreram com a mesma teoria.
E claro, a música que o livro me
lembrou como também acompanhou a minha leitura foi “Nutshell” do Alice in
Chains. Primeiro porque a letra é composta de apenas duas estrofes (bem
suscinta), e tem um quê de desolação, de lutar uma grande batalha sozinho,
estar prestes a perder tudo, que combinam perfeitamente com todo o clima da
história.
Isso
é tudo pessoal! Um beijo, bons voos e até a próxima J





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