Fera Ferida - Poesias de Fernando Pessoa
Olá
meus passarinhos e minhas passarinhas! A indicação de hoje é bem diferente do
meu comum: “Fernando Pessoa Poesias” da L&PM Pocket. Não lembro onde
comprei o livro, mas suspeito que foi numa dessas promoções maravilhosas das
Lojas Americanas.
Pois
bem, claro que conhecia as poesias mais famosas dele, até porque nas escolas,
pelo menos na minha época, ensinavam Fernando Pessoa em Literatura. Mas poesia,
por mais que eu ame, tenho que admitir que muita gente e gente interessante
(sem preconceitos, por favor) não se identifica ou muito menos não entende.
Acho que o lirismo é mais sentido do que compreendido, então por isso não
seja tão popular na leitura do povo, só mesmo em declarações em datas especiais
(risos).
Mas
vamos ao que interessa, esse livro é pequeninho e obviamente não tem toda a
obra do poeta, mas tem bastante conteúdo e muitas poesias, aliás a maior parte
delas eu não conhecia. E confesso que fiquei muito surpresa ao conhecer as
várias faces e sentimentos deste tão aclamado poeta, e mais surpresa ainda ao
ver que em certos aspectos, eu e ele nos parecemos muito. Acho que deve ser mal
de quem escreve...Só pode! (rs)
O
que dizer de um poeta que se diz “um
doido que estranha a própria alma”?! Fernando demonstrou em suas poesias
angústias, desilusões, seus medos, seus sonhos, suas esperanças, suas paixões, com muito maestria e com todo o lirismo sublime que fazem jus a sua fama. Mas
aí é que não sei discernir até que ponto é o coração dele falando e até que
parte é a sua arte. Em ambas situações, o belo e o feio, o sutil e o viril se
fazem profundos sem perder o nexo.
Geralmente,
quando leio algum livro de poesia, cartas ou de filosofia, eu grifo as partes
que mais gosto e com esse não foi diferente. Vou escrever aqui alguns versos
que mais me marcaram.
“Tão tênue melodia,
Que mal sei se ela
existe
Ou se é só o crepúsculo,
Os pinhais e eu estar triste.
(...) quando é que eu
serei da tua cor,
Do teu plácido e azul
encanto,
Ó claro dia exterior,
Ó céu mais útil que o
meu pranto?!
Trecho de “Canção”
“Não sou eu quem descrevo. Eu sou a tela
E oculta mão colora
alguém em mim.
Pus a alma no nexo de
perde-la
E o meu princípio
floresceu em Fim.” Trecho de “Passos da Cruz”
“E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a
razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.”
Trecho de “Autopsicografia"
“Eu simplesmente sinto com a imaginação” Trecho de “Isto”
“Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo
são as crianças,
Flores, música, o luar,
e o sol que peca
Só quando, em vez de
criar, seca.
Mais do que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de
finanças
Nem consta que tivesse
biblioteca...” Trecho de “Liberdade”
“E afinal o que quero é fé, e calma,
E não ter estas sensações
confusas.
Deus que acabe com isto!
Abra as eclusas –
E basta de comédias na
minh’alma!”
Trecho de “Opiário”
“Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser
nada.
À parte isso, tenho em
mim todos os sonhos do mundo.
(...) Que sei eu do que
serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas
penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam
ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
(...) O mundo é para
quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha
que pode conquista-lo,
Ainda que tenha razão...”
Trecho de “Tabacaria”
“Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o
luar,
Então acredito n’Ele,
Então acredito n’Ele a
toda a hora,
E a minha vida é toda
uma oração e uma missa,
E uma comunhão com os
olhos e pelos ouvidos.”
Trecho de “Há metafisica bastante em
não pensar em nada”
Acho
que pelos trechos que selecionei dá para entender porque que enquanto lia o
livro lembre da música “Fera Ferida” eternizada na voz de Maria Bethânia.
E
termino esse meu post de hoje com uma estrofe das “Odes de Ricardo Reis”:
PARA SER GRANDE, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.


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