Angels Cry

A Batalha do Apocalipse – Eduardo Spohr

         Gostaria já de começar este texto dizendo que essa obra é um dos melhores livros que já li na vida! Genial do começo ao fim, e o melhor de tudo é que ela é inteirinha brasileira!! Sim, podemos todos cantar “Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor...”.
         Brincadeiras à parte, antes de começar a falar mesmo da narrativa eu vou contar um pouquinho a história de como descobri esse livro. Lá na faculdade, ouvi alguns amigos meus falando desse livro, e que ele era muito legal e tals, e só de ouvir um pouco sobre a história já tinha me interessado. E desde então fiquei um tempão namorando não só o Batalha como também a saga “Filhos do Éden”. Tudo isso foi de 2012 (ano que vim para Rio) a 2013.
         Então, quando comecei a trabalhar (isso já perto do meu aniversário em 2013), o primeiro livro que comprei com meu primeiro salário foi a edição especial do “A Batalha do Apocalipse” que consegui numa promoção maravilhosa da Submarino Livros (o meu eterno caso de amor, por sinal).
         Mas não li o livro logo de imediato, porque como estou sempre lendo muito e sou metódica tenho uma lista de ordem de leituras. Até que já no finalzinho das minhas férias da faculdade no meio desse ano, toda vez que entrava no meu quarto (lugar onde fica minha estante de livros), o Batalha ficava me chamando – devoradores de livros entenderão essa sensação. E mesmo sem ler, eu ficava pensando como seria história. Até que não aguentei mais, e resolvi ler de uma vez.

         O livro tem umas 600 e poucas páginas incluindo o apêndice com os extras – que são incríveis – e eu o li em uma semana, aliás li até sob a luz de velas, pois como a Light não é perfeita, faltou luz no bairro, e estava numa parte eletrizante do livro e eu não ia aguentar esperar até a energia voltar.
A prova do crime! =P


Até aqui, creio que já dá para ter uma noção do quanto eu gostei do livro! Gente, a história é maravilhosa em que o autor habilmente reinventou o universo do Gênesis, dos Anjos e Céus, aproveitando o que a teologia e a História da humanidade têm de melhor.
Para quem nunca ouviu falar desse romance, ele conta a história do herói Ablon um querubim (casta dos anjos guerreiros) que foi renegado dos céus, e condenado a viver na Terra no plano físico. Mas por favor, não criem confusão, ele não é um anjo caído, como Lúcifer e companhia, aliás em termos cronológicos do enredo a “expulsão” dele foi antes da Queda do “Filho do Alvorecer”.
E então a narrativa se passa em dois tempos, digamos assim. O primeiro é o que está acontecendo no momento presente que é o universo inteiro caminhando rumo ao Apocalipse. O segundo são os flashbacks que contam as aventuras de Ablon, tanto no Céu quanto na aqui na Terra que por sinal seguem uma sequência temporal linear, nesse sentido. E a trama cresce e flui muito bem desenvolvida tanto nas histórias passadas do nosso Anjo General quanto no presente, à medida que nos apresenta a personagens cativantes e a lugares de tirar o fôlego!


Não tem como você odiar plenamente um personagem, mesmo sendo um demônio você entende as razões de cada figura que aparece na história e devido à essa compreensão, pode-se notar a sagacidade do autor, que por mais que a narrativa não seja toda focada na descrição dos personagens, consegue nos dar esse contexto subjetivo sem ficar clichê demais ou menosprezar os outros elementos do enredo.
         Esse romance é também muito rico em todos os aspectos. Os personagens são muito bem desenvolvidos, a mitologia própria do livro é vasta e completa (pois o autor conseguiu pôr em um diálogo dinâmico vários mitos e elementos sobrenaturais e místicos de outras culturas sem que ficasse um “saladão de domingo na casa da avó”). Os impecáveis cenários e as descrições interativas são excelentes para visualizar o contexto do enredo. Além disso, tem um quê “conspiracionista” sensacional, que mesmo que sendo um pouco previsível, o leitor acaba se surpreendendo porque se envolve tanto com a trama que cada desenrolar se torna uma alegria inesperada.
         E claro, não posso deixar de ignorar o singelo romance que há nessa jornada, pois mesmo que acontecendo no pano de fundo dos eventos principais, não deixa de ser a fonte de esperanças não só para o nosso anjo herói, como também para os leitores. Gostei muito do casal do livro, porque o amor deles contribui em peso para que essa narrativa seja um épico. E eu também achei legal poder ver como é um homem, sem ser o Nicholas Sparks e companhia, escrevendo uma história de amor.
         Mas se me perguntarem o que mais me chamou a atenção nesse livro tão próspero, é sem dúvida a forma como Eduardo traz e adapta os conceitos da teologia e da própria filosofia aos diálogos. A interpretação que fiz da mensagem que o livro quer passar é que temos o livre-arbítrio, no sentido de que somos os senhores e agentes de nossos destinos, o que não necessariamente exclui Deus, como também se propõe a nos mostrar que nossa vida está em nossas mãos. Tanto é que o livro termina com um final parcialmente aberto.
         Voltando às questões dos diálogos, bem eles são absurdamente fantásticos. São profundos, intensos e que te fazem parar para refletir, não sobre a sua vida e os seus conceitos, como também o Universo e as Leis que o regem. Sem dar muito spoiler o meu diálogo preferido é entre o Ablon e o Arcanjo Gabriel, que é sem dúvida a mais bela, explicativa e ouso dizer até poética conversa de toda a trama.
E isso, só me fez ficar ainda mais encantada e tentando imaginar sob qual perspectiva o autor enxerga o mundo, pois a beleza dessas passagens me fizeram ver a realidade que me cerca com outros olhos. Por falar nisso, a forma como o autor escreve e descreve o Rio de Janeiro é fascinante. Passei a ver o Rio com outros olhos também.
         Aprendi muito sobre a religião, os mitos, a história da humanidade e também sobre a vida de modo geral lendo essa obra que mesmo sendo ficção tem um realismo surrealmente plausível. É um livro de fantasia que ao mesmo tempo é pé-no-chão.
         Foi uma das minhas piores ressacas literárias, e assim que terminei o livro quis lê-lo de novo. E ainda quero. Acabei esse romance com um orgulho de minha nacionalidade que só senti quando ouvi pela primeira vez o álbum “Angels Cry” do Angra gravado em 1993. Sim, os dois são épicos e clássicos nesse nível. (Desculpa Machado de Assis, nada pessoal. Rs)
         Bônus: quem quiser e sentir vontade de escrever para o autor, assim como eu tive, entra em contato com ele!! O Eduardo se mostrou ser um escritor muito humilde e bacana que sempre dá atenção e valor a seus leitores.
         Em breve, postarei a minha resenha de “Filhos do Éden: Herdeiros de Atlântida”.


Seguem os links pra quem se interessou:


Submarino Livros (melhor preço até agora):


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Link do meu post pro autor =]



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