Dream On

Ando meio nostálgica esses dias. E tenho buscado fazer um movimento de tentar resgatar e preservar a minha infância. Além das minhas coleções de livros e bonecos, e recentemente, graças ao meu amor, Submarino.com, que como sempre faz umas promoções divas, eu comprei dvd’s dos meus filmes e animações preferidas da época da aurora da minha vida.
            E devido a essas minhas últimas aquisições, relembrei e matei a saudade de um filme que sou completamente apaixonada e que fazia muito, mas muito tempo que eu não via: A história sem fim! Essa produção da Alemanha ocidental é de 1984 e é baseada na obra literária de Michael Ende.
Para quem não se lembra, o filme conta a história do garotinho Sebastian que perdeu a mãe, e para lidar com a dor que sente ele mergulha nos livros e no mundo da imaginação. E por ser muito sonhador, ele acaba sendo perseguido pelos colegas da escola, que o agridem verbal e fisicamente. Até que um belo dia, enquanto fugia das agressões, ele entra numa livraria e encontra um senhor lendo um livro “perigoso”. Como curiosidade de criança nunca é pouca, ele pega o livro emprestado e passa o dia inteiro lendo no sótão da escola.
Primeiro ponto que me fez amar ver novamente esse diálogo entre o Sebastian e o bibliotecário é quando ele começa a citar os livros que ele já leu, que dentre eles estão Tarzan, O Senhor dos Anéis, O Rei Arthur dentre outros clássicos da literatura infanto-juvenil. Adoraria poder ver mais garotinhos e garotinhas de 8 a 10 anos contando que já leram esses livros, ou no mínimo ver essas crianças com livros nas mãos e não tablets.
E daí em diante a história se desenrola na história do livro, em que o herói Atreyu corre contra o tempo para salvar o mundo Fantasia que está sendo consumido pelo Nada e a Imperatriz que está terrivelmente doente. Ao mesmo tempo, o filme mostra as reações de Sebastian ao ler o livro, o que é muito bacana pois representa as reações que nós leitores fazemos enquanto estamos lendo: revolta, tristeza, alegria, desânimo, compaixão e tantas outras.
Imageticamente falando, o filme é muito lindo, os personagens são muito bem feitos e interpretados, desde o Come-Pedra até a própria Imperatriz, que é uma garotinha adorável. E os cenários são incríveis, e variam desde pântanos a desertos, praias, montanhas e galáxias.
 Mas o que mais me encanta nessa obra é a mensagem que ela passa e ao mesmo tempo a nostalgia que me dá, pois hoje em dia não vejo mais filmes assim com tamanha beleza visual e no conteúdo. O filme inteiro caminha para o alerta de que sonhar e acreditar é a chave e o começo e a manutenção para qualquer coisa que façamos na vida.


E esse discurso é constante, pois ele aparece na conversa entre Atreyu e o Falkor, o dragão da sorte, Atreyu e a Imperatriz, e mais explicitamente entre Atreyu e o vilão Gmork, o lobo negro. Nesse último diálogo, Gmork fala que o Nada está ganhando forças porque as pessoas estão perdendo as esperanças e a fé. E quanto menos acreditarem, mais o mundo Fantasia perecerá. Como diz Gmork: “pessoas sem sonhos são mais fáceis de ser controladas”. Acho que se faz desnecessário qualquer comentário que eu possa fazer sobre a obviedade e também profundidade dessa reflexão.
Uma amiga minha, a Letícia Chaves, me disse uma vez que o mundo não precisa de pessoas de sucesso, aliás está saturado deles. O mundo precisa de contadores de histórias, de pacificadores e cura-dores. Não quero lhe incentivar a não desejar ter sucesso na vida, mas que lembremos sempre de inspirar as pessoas ao nosso redor. Que saibamos trazer leveza ao cotidiano, e mais fé e amor pro dia-a-dia. Todos nós enfrentamos as nossas batalhas, por isso que por nós mesmos e pelos outros precisamos sonhar mais e fazer frutificar a esperança de que tudo está mudando para o melhor. O otimismo é também um exercício diário.

Eu particularmente sou contra a ideia de que o tempo cura tudo. O tempo na realidade só nos afasta do momento exato em que as coisas aconteceram, e com essa distância que ele traz, não fica tão evidente assim as memórias tristes e dolorosas. Remédio para amor é amar mais, remédio para sonhar é sonhar mais alto ainda e remédio para viver é celebrar e aproveitar cada momento com mais intensidade e vivacidade.

Portanto, a canção que esse filme me fez lembrar foi o clássico do rock “Dream on” do Aerosmith:

“Cante comigo
Cante pelo ano
Cante pelo riso e cante pelas lágrimas
Cante comigo
Se for apenas por hoje
Talvez amanhã o Bom Senhor te levará
Sonhe, sonhe, sonhe
Sonhe até que seu sonho se realize”


Que saibamos deixar nossos sonhos serem maiores que nós porque como disse Mário Quintana: “Sonhar é acordar-se para dentro.

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